Que falta faz a memória histórica de um lugar?

Foto: Cláudia Lopes

Ao ser convidada para escrever aceitei de imediato, porém até maturar o real sentido e valor desse lugar de fala levei quase um ano para apresentar um texto, mesmo tendo escrito durante esse ano diversos. No entanto, para iniciar essa produção fiquei pensando; quais assuntos seriam relevantes para que periodicamente pudesse opinar, discorrer ou simplesmente falar? Ou melhor, o que, realmente, de relevante tenho para falar? E depois de tanto pensar e rabiscar, acredito que devo iniciar esse trajetória falando sobre memória, cultura e história que foi como algumas pessoas me conheceram nesta cidade.

Então, pensei em falar do cenário cultural, ou melhor, da falta que um espaço cultural faz a memória e cultura de uma população. Durante algum tempo me questionei por que a comunidade simõesfilhense pouco sabe a sua história e não valoriza a sua cultura? Mas como uma população pode valorizar e propagar o que não conhece?
Simões Filho é uma cidade com mais de 140 mil habitantes e não tem uma casa de cultural, um museu ou espaço exclusivo e destino para contar a História, preservar a memória e propagar a cultura local. Desta forma, é um grande desafio fazer com que a os munícipes tenha consciência da sua história e sintam-se valorizados pela riqueza patrimonial.
Acredito que enquanto nos faltar um local fixo para divulgação do nosso patrimônio histórico, o universo da internet precisa ser usado para que mais pessoas possam entender que para além da violência propagada, a cidade é palco de produção artística, cultural e histórica. Além de ser um local rico historicamente. Acredito que meu papel aqui será de cobrança, inquietação e arguição.
Uma cidade que não valoriza sua história e nem tão pouco sua cena cultural, logo não valoriza sua memória. Fala-se muito em musealização da História, da memória, dos prejuízos de tornar a História estática, de uma valorização de uma memória em detrimento de outra. Mas no caso, de Simões Filho quando não damos o primeiro passo que é musealizar ou eleger elementos para contar a nossa história, entramos no risco do esquecimento que hoje vemos presente em nossa cidade.
O que são as Ruínas do Dambe se não o mais forte resultado da desvalorização da nossa história? Acredito que existe algo que é maior que o partidarismo e nesse caso é A CIDADE. No seu sentido amplos e todos os moradores deveriam lutar por ela em todas as áreas independente de posição política. Mas isso é assunto para outro momento…
Hoje o alerta é para o processo de esquecimento da nossa memória e desvalorização da nosso patrimônio, da nossa história e da cultura local. Um lugar que se tornou um elefante branco (literalmente) foi aquele espaço criado na Praça da Bíblia como Centro Cultural Irmão Inocêncio da Rocha. Atualmente inutilizado e poderia ser reformado e estar sendo utilizado como Espaço Cultural da Cidade. Podendo ali, também, ser um local para ajudar a divulgar, ampliar, educar, ensinar e promover a cultura, história, a memória e o patrimônio dessa cidade.

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